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NA MARGEM DO CAMINHO

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Aqui estou, Senhor,

como o cego na margem do caminho

— cansado, triste, aborrecido,

cheio de suor e de pó,

sem claridade e sem horizonte —;

mendigo por necessidade e ofício.

 

Aqui estou, Senhor,

no meu sítio de sempre pedindo esmola,

sentindo que se me escapa a vida,

o tempo e os sonhos da infância;

mas resta-me a voz e a palavra

Passas ao meu lado e não te vejo.

 

Tenho os olhos fechado à luz.

Hábito, dor, desalento...

Sobre eles cresceram duras escamas

que me impedem de te ver.

 

Mas ao sentir os teus passos,

ao ouvir a tua voz inconfundível,

todo o meu ser estremece

como se um manancial brotasse dentro de mim.

 

Procuro-te,

desejo-te,

preciso de ti

para atravessar as ruas da vida

e andar pelos caminhos do mundo

sem me perder.

 

Ah, que pergunta a tua!

Que deseja um cego senão ver?

Que eu veja, Senhor!

 

Que eu veja, Senhor, as tuas sendas.

Que eu veja, Senhor, os caminhos da vida.

Que eu veja, Senhor, antes de tudo, o teu rosto,

os teus olhos,

o teu coração.

 

Florentino Ulibarri

Traducción de Marcelino Paulo Ferreira

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